Conjunturas Locais: UFRJ


Em 2015 o governo Dilma cortou 10 bilhões da Educação e da Saúde, do que seria um início de uma política fiscal avassaladora, prescrita por países imperialistas por meio de seus tentáculos – organismos financeiros e multinacionais – num ostensivo movimento de transferir o ônus da crise econômica mundial para os trabalhadores, sobretudo os dos países mais pobres.
O país se encontrava nesta época em um imobilismo derivado da relação atávica entre o PT e os movimentos sociais. Sua política de conter mobilizações mais contundentes e disruptivas passou pela cooptação e integração das direções dos movimentos sindicais, do campo, comunitário e estudantis, os deixando à mercê das negociações do Partido com os donos do grande capital – um exemplo disso é a inclusão da representante do agronegócio na gerência governamental do PT com o respaldo da UNE/UJS (PC do B). Toda movimentação se tornou parte de uma mesma política institucional viciada.
Os impactos foram imediatos na UFRJ: trabalhadores terceirizados ficaram sem salários, bolsas de auxílio estudantil foram cortadas. Diante do massacre promovido pelo governo federal em um movimento de enfrentamento à burocracia institucional e do próprio movimento estudantil, os estudantes se organizaram e ocuparam o saguão da reitoria e a sala de reuniões do CONSUNI, impedindo um corte ainda maior no número de bolsas de auxílio e exigindo o pagamento imediato das empresas terceirizadas junto a diversas pautas relacionadas às condições precárias do alojamento da UFRJ. As empresas terceirizadas foram pagas, mas suas funcionárias continuaram a ficar sem receber, em meio a assédios e ameaças de seus patrões de serem realocadas caso participassem de alguma movimentação com os estudantes.
Conforme as ocupações se afirmavam, não apenas na UFRJ, mas nacionalmente, enquanto formas efetivas de enfrentamento e reivindicação, as entidades (o que inclui o DCE da UFRJ) tentavam empurrar suas estratégias ineficazes de sempre, ao mesmo tempo em que desarticulavam as ocupações. Exemplos disso são a manobra numa votação que desarticulou as ocupações para organizar uma (suposta) greve geral e uma viagem à Brasília. Ambos foram encaminhados e realizados, para variar, na pasmaceira que as burocracias sindical e estudantil fomentam com tanto apego há tantas décadas no Brasil, porque o importante é “fazer a figuração da luta”, e não mobilizar de fato para barrar o ajuste a as reformas, com a combatividade à altura desses ataques contra a classe trabalhadora. Algumas ocupações esparsas foram mantidas durante a greve de 2015. Mas, como a mobilização – levada a cabo por entidades representativas que detém as condições materiais mais favoráveis para tanto – é impreterivelmente realizada para garantir o fortalecimento das direções e de suas decisões, e não o protagonismo de trabalhadores e estudantes, a greve igualmente não surtiu efeitos: não barrou reformas e ajuste fiscal, nem sequer acumulou politicamente esforços organizativos.
Em 2016 os cortes continuaram. A política de governamentalidade do PT e seus esforços de manter os movimentos sociais, sindicais e estudantis apaziguados em seu projeto de conciliação de classe fracassaram. Isso ficou latente a partir de 2013 com as revoltas pelo transporte até culminar no impedimento da presidenta Dilma Roussef (PT). A burguesia entendia nesse momento que para avançar com seus programa era preciso alterar a administração do governo federal para alguém sem vínculos com a opinião pública e que conseguisse aprovar os cortes com mais rapidez. Aproveitando-se da crise política, no intuito de deixar para o povo pagar a crise econômica que foi instalada pelos grandes capitalistas, empossaram o vice-presidente Michel Temer (PMDB). Em pouco tempo de governo houveram cortes (tidos como reformas) nos direitos dos trabalhadores e na educação orquestrados junto a PEC do teto de gastos. É importante para nós estudantes em luta não perder de perspectiva como o estudante-trabalhador (secundarista ou universitário) é diretamente afetado pelos cortes e entender sua continuidade desde o governo PT, cuja a maioria das reformas já haviam sido escritas por.
Os setores reformistas (PT, PCdoB, PSOL, PCB, PSTU) cada vez mais se mostram incapazes de combater o avanço do programa burguês que nos é imposto a passos cada vez mais largos. Preferem construir a institucionalidade ao em vez de construir um movimento forte da classe trabalhadora capaz de enfrentar o governo federal. Sem perspectiva de médio e longo prazo, pela permanência estudantil e principalmente garantia da alimentação para os campos do centro e da praia vermelha estudantes independentes e do mov. Negro ocuparam seus respectivos campos de forma autônoma ao DCE. A crítica ao imobilismo do setor reformista engajava a prática desses estudantes que na experiência de 2015 aprenderam que os métodos da burocracia eram insuficiente para garantir suas pautas. O movimento de ocupação de 2016 tiveram diversos problemas organizativos e de métodos por conta do expontaneísmo e do coleguismo impregnado no ME, contudo foi vitorioso garantindo bandejão para ambos os campos (pauta histórica na UFRJ a mais de 15 anos.
Neste ano de 2017 isso fica ainda mais caricato. Na UFRJ vemos a precarização avançar no incêndio na reitoria, o assassinato de Diego (estudante nordestino, negro e gay), o incêndio no Bloco B do Alojamento e agora o corte das bolsas auxílio, cujo o edital não foi aberto em 2017.2 com o argumento de que não havia dinheiro e o DCE (PSOL/UJC) endossou o discurso do reitor. Os estudantes do alojamento tiveram que se auto organizarem para garantir moradia e ocuparam a reitoria novamente, porém apesar de (supostamente) não ter dinheiro o reitor Leher (PSOL) conseguiu bolsa auxílio moradia (R$1200,00) para todos os ocupantes.
Em meio a essa crise e a precarização da universidade os setores reformistas resolveram puxar a eleição para o DCE mesmo assim. A chapa de situação (PSOL/UJC) rachou dando origem a Chapa 2 (RUA/Juntos) e Chapa 4 (UJC), além das duas ainda tem a Chapa 3 (Levante/Kizomba/UJS/UJPT), que é situação na UNE. O DCE sempre teve uma capacidade organizativa do ME muito fraca e raramente chamava uma Assembleia Estudantil (apenas quando pressionado pela base) e no momento de maior necessidade esses setores abandonam toda sua construção (que já não dava conta) para fazer campanha. Inclusive plagiando conquistas de outros coletivos em suas táticas oportunistas de propaganda, como é o caso da Chapa 2 que usa a conquista do bandejão como trampolim, sendo que o movimento responsável por sua conquista foi marcado pelas ocupações por alimentação e permanência de ocorridos em 2016, de maioria independentes e do coletivo negro (Carolina de Jesus), que inclusive foi rechaçado pelo setor reformista que em nota do DCE acusou o Ocupa IFCS de ser anti-democrático e sectário enquanto se reunia com a burocracia universitária para negociar de portas fechadas.

Nota-se que em toda a UFRJ o contexto é de precarização e desmobilização. Na Faculdade Nacional de Direito (FND), a última gestão do Centro Acadêmico Cândido de Oliveira (CACO) foi a mais desmobilizada dos últimos anos, não pautando políticas nacionais e não mobilizando os estudantes para os atos, num momento onde passamos por tantos ataques aos direitos dos estudantes. Para, além disso, apoiaram pessoalmente a candidatura de um diretor de concepções liberais, defensor do Escola Sem Partido. Diversos estudantes da FND encontram-se em situações precárias, necessitando de políticas de permanência estudantil, sobretudo após o incêndio que ocorreu há alguns meses no alojamento estudantil. 

O mesmo esvaziamento se passa com as paralizações nacionais convocadas pontualmente e sem uma perspectiva de continuidade e avanço: enquanto não houver a multiplicação de mobilizações locais, porém articuladas nacionalmente, e/ou essas mobilizações forem temidas e sabotadas pelas burocracias estudantis e sindicais, o Estado e seus gerentes do dia seguirão com suas deliberações a portas fechadas. Negros, indígenas e pessoas provenientes de áreas periféricas compõe cada vez mais as universidades, multiplicando formas de atuação política e aprofundando debates antes excluídos e silenciados. Nos encontramos, contudo, em uma conjuntura de intenso desmantelamento e precarização da educação, importante arma de resistência da classe trabalhadora e do seu setor mais marginalizado e cotidianamente violentado. É preciso dar corpo e forma às mobilizações na UFRJ, a partir da organização por local de estudo, para construir uma resposta contundente e combativa estudantil contra as reformas enfiadas goela abaixo pelo Estado!

Avante a Luta Combativa dos estudantes proletários!

Conjunturas locais: UERJ Maracanã

A UERJ  é um alvo experimental da atual política de privatizações e avanço do capital. A agenda neoliberal atual é de desmonte agressivo da educação pública e favorecimentos a educação privada (através de programas como o Prouni), agenda essa explicitada em diretrizes do Banco Mundial por exemplo. Estamos diante de uma ameaça real de inicio de cobrança de mensalidades, feita através de diversas matérias nas mídias corporativas e por representantes do governo federal. Temos uma reitoria conivente com esta situação, já que nada faz contra este cenário e ainda se coloca a favor das PPP (parcerias público-privadas) e entrada de OS (organizações sociais, uma nova cara da privatização). Aproveitando o contexto de crise atual do estado do RJ, crise esta de muito agravada pela farra de gastos públicos nos recentes grandes eventos, temos hoje uma universidade sem receber verbas necessárias diretamente, há dois anos, e por isso greves constantes e 30 mil alunos sem aulas. Os técnicos e professores ficam vários meses com salários atrasados, terceirizados também sem receber sendo demitidos em massa de tempos em tempos, em uma lógica perversa de manutenção dos serviçoes básicos acima da dignidade dos trabalhadores. Observamos as categorias acuadas diante dos ataques, sem verem perspectivas de luta e isso não é a toa. São décadas de cooptação destas categorias por partidos social-democratas, que mesmo diante de graves ataques permanecem com as mesmas práticas da estratégia eleitoreira: greves de pijama, desmobilização das bases, acordos de gabinete, pacifismo, etc. Os estudantes independentes, no entanto, mostraram o caminho em 2017. É com ocupação, radicalidade e política de base que temos que lutar. Ocupamos o bandejão! Servimos comida para mais de 200 estudantes diariamente. Barramos desde o início o DCE do PT/PCdoB, ligado a UNE, de compor conosco já que estes eram contrários à ocupação e agem sempre com práticas oportunistas. Por fim, o bandejão será reaberto após quase um ano fechado. Vitória para o movimento estudantil independente, porém que não pode parar por ai. A luta pela permanência estudantil deve caminhar junto da luta pela própria universidade pública. Por isso permanecemos em mobilização constante. Estamos atualmente em greve estudantil, mas sem mobilização alguma por parte dos eleitoreiros. Nossa perspectiva atual na UERJ deve ser de aumentar a atuação por cursos e tocar a luta por fora da atual gestão do DCE, como por exemplo o ato puxado pelos 3 cursos de Geociências (Geografia, Geologia e Oceanografia) no último dia da ocupação do bandejão. Sem luta não há vitórias!

 

UERJ,

LABORATÓRIO DO SUCATEAMENTO E PRIVATIZAÇÃO,

MAS TAMBÉM DA RESISTÊNCIA!!!

OCUPA TUDO CONTRA O SUCATEAMENTO!

 

     

 

 

Panfletos e Cartaz de Chamada para Plenária 7/12/17

Cartaz A3: CLIQUE AQUI 

Panfleto com fundo: CLIQUE AQUI

Panfleto simples sem fundo: CLIQUE AQUI

 

Não sabe chegar na FEBF, onde será a plenária do dia 7/12/17 ??? Confere então esses trajetos feitos por uma companheira de lá!

“Olá, camaradas!

° Sobre o trajeto:
• Nosso endereço: Av. General Manoel Rabelo, s / n – Vila São Luís, Duque de Caxias – RJ, CEP: 25065-050 (Na Rodovia Washington Luiz tem um Habbi’s, dentro de um Carrefour. Se você andando é só seguir reto, até chegar numa praça, a Praça da Bandeira e da Escola Municipal Extraordinário Aquino de Araújo, antes disso vai passar uma oficina, um supermercado Rio Sul, uma Auto Escola, uma Padaria, uma loja de picolés, um Hortifrut, atravesse a rua em direção a lanchonete china e ali da esquina já veram o CIEP, onde é a FEBF).

° Quem vem de Niterói:
• Existe uma opção de Niterói x Caxias. Pedir pra descer no último ponto da Av. Brigadeiro Lima e Silva (próximo ao Hospital Daniel Lipp). Neste mesmo ponto, com as opções de ônibus Variante, São Jorge (via Itatiaia) ou 21 de Abril. Ambos deixam uma rua em frente da FEBF. Peçam pra descer o mais próximo possível da Praça da igreja da Vila São Luis.

° Quem vem de Seropédica
• Ir de trem até a estação do Maracanã e fazer integração com o ramal Gramacho. Sair na estação Duque de Caxias pelo lado esquerdo (tem uma Caixa Econômica e um Banco do Brasil logo de frente) e até uma rua Conde de Porto de Alegre. Nesta rua, como opções de ônibus Variante, São Jorge (via Itatiaia) ou 21 de Abril. Ambos deixam uma rua em frente da FEBF. Peçam pra descer o mais próximo possível da Praça da Igreja da Vila São Luís.

° Quem vem de Nova Iguaçu
• Ir até o Shopping Center (rodoviária antiga) com o ônibus do Master e seguir para a rua Conde de Porto Alegre. Lá, pegar o Variante, São Jorge (via Itatiaia) ou 21 de Abril.
Peçam pra descer o mais próximo possível da Praça da Igreja da Vila São Luís.

° Quem vem da Zona Sul
• Ir até o Terminal Rodoviário Cel. Américo Fontenelle (depois Central do Brasil) e pegar o ônibus da empresa Reginas, via Vila São Luís. Esse também deixou uma rua em frente da FEBF.
Peçam pra descer o mais próximo possível da Praça da Igreja da Vila São Luís.
*** ESTE TRAJETO TAMBÉM PODE SER FEITO PELOS OS DEMAIS! ***

°Quem vier de trem: É o ramal Gramacho. Desça na estação Duque de Caxias, saia pelo lado esquerdo, atravesse no sinal, entre na rua subindo, você verá o sentido dos ônibus, pare no ponto de ônibus mais próximo desta rua e láol você terá as opções de ônibus Variante, São Jorge (via Itatiaia) ou 21 de Abril. Ambos deixam uma rua em frente da FEBF. Peçam pra descer o mais próximo possível da Praça da Igreja da Vila São Luís.

Aguardamos todas e todos!!! Saudações da Baixadenses!”

POR UMA FEDERAÇÃO ESTUDANTIL INDEPENDENTE


Uma fração do movimento estudantil independente do Estado do RJ tem se reunido em plenárias para organizar mobilizações e pensar em formas de unidade e massificação. Participaram destas plenárias estudantes das mais diversas faculdades e secundaristas,
de muitas lutas estudantis, como da atual ocupação de moradia estudantil da casa do vice reitor da Rural, da recente Ocupação do Bandejão da UERJ, da atual ocupação da “Casa do Estudante Fluminense” por moradia estudantil na UFF, entre outras tantas lutas. Somos a juventude formada na luta combativa. Somos aqueles que se contrapõem a UNE, com suas práticas burocráticas e de parlamentarismo estudantil. Entendemos que precisamos nos reorganizar para enfrentar os atuais ataques dos governos a nós estudantes e aos trabalhadores como um todo, mas que nossa organização deve também ser permanente e pensar a longo prazo. Na terceira plenária, decidimos por maioria absoluta construir uma nova federação estudantil, uma federação voltada para a luta e mobilização, não para palanque eleitoreiro. A plenária já ocorreu na UERJ Maracanã, UFF Gragoatá, UFRRJ de Seropédica e IFCS no Centro. Vamos construir seções de base nos campus das faculdades, assim como em escolas secundaristas. Nossa próxima plenária será principalmente para deliberar sobre principios básicos e estrutura organizacional, que ficaram pendentes desde nosso último encontro. Todos os estudantes que quiserem construir um movimento estudantil independente forte, com perspectivas de massificação, estão convidados a somarem-se a nós.

PRÓXIMA PLENÁRIA DIA 7 de DEZEMBRO

NA FEBF (UERJ de CAXIAS),
RUA GENERAL MANOEL RABELO, VILA SÃO LUÍS, DUQUE DE CAXIAS

14 HORAS